sábado, 30 de outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Olhos de gato

- Você tem um olho mais escuro que outro... assim a esbater para o verde... parecem olhos de gato...
- Acha mesmo? Não passo horas suficientes ao espelho para reparar nisso.
- Já disparou uma arma?
- Ainda não.
- Venha daí, com esses olhos, pode vir um dia a precisar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Há vezes

Há vezes em que acho que durmo e acordo no mesmo dia porque os problemas são sempre os mesmos, tudo se repete ciclicamente.
Há vezes em que acho que a vida é como fazer uma tatuagem, um exercício de transformar a dor em prazer.
Há vezes em que me sinto assim, prisioneira de mim.
Há vezes em que saio de mim, vou para qualquer outro lugar.
Mas acabo sempre por voltar para mim.
Medo... sim, medo!
Para além dos medos básicos da solidão, de perder alguém, de não encontrar o meu lugar no mundo, acrescem diáriamente novos medos.
Porque ter medo significa que tenho coisas valiosas que posso perder. E não as quero perder.
Sou feliz!
Quero o MUNDO...

sábado, 23 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Forever would be fine

.Do you ever think of coming back? The island is smaller without you. And everything around the house misses you. Your flowers. Your lemon trees. Your clothes I kept in the wardrobe. I think you should come back. And stay. Yes, stay here. Forever would be fine.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

B.

Flur
iardi na mi
susega na mi
pa n sedu bu sol
nin ku sol noti
sukuru iabri si mantu
n na lumiau kaminu

[Tony Tcheka]

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Old stories

. I´m calling just to wish you a merry christmas.

. Thanks.

. I know it doesn´t mean a lot to you... but it does to me and you always cared about things I like.

. True... How´s the weather there?

. Sad... we end up talking about the weather... well, it´s sunny and hot as always. You should be here.

. I know.

sábado, 16 de outubro de 2010

Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

E.E.Cummings

You being in love
will tell who softly asks in love,

am I separated from your body smile brain hands merely
to become the jumping puppets of a dream? oh I mean:
entirely having in my careful how
careful arms created this at length
inexcusable, this inexplicable pleasure - you go from several
persons: believe me that strangers arrive
when I have kissed you into a memory
slowly, oh seriously
- that since and if you disappear

solemnly
myselves
ask "life, the question how do I drink dream smile
and how do I prefer this face to another and
why do I weep eat sleep - what does the whole intend"

they wonder. oh and they cry "to be, being, that I am alive
this absurd fraction in its lowest terms
with everything cancelled
but shadows
- what does it all come down to? love?

Love
if you like and I like, for the reason that I
hate people and lean out of this window is love, love
and the reason that I laugh and breathe is oh love and the reason
that I do not fall into this street is love.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Há cor na cor


Guardo em mim o silêncio da alegria.

Que se manifesta devagar, um pouco mais, a cada dia.

domingo, 10 de outubro de 2010

Do trágico

O humor não salva; o humor, em definitivo, não serve para quase nada. Podem ver-se, durante anos, muitos anos mesmo, os acontecimentos da vida com humor. Em alguns casos pode adaptar-se uma atitude divertida praticamente até ao fim; mas a vida acaba sempre por nos deixar de rastos. Por melhores que sejam as qualidades de coragem, sangue-frio e humor que criemos ao longo da vida, acabamos sempre por ficar com o coração em pedaços. E, então, deixamos de rir. No fim de contas, só nos resta a solidão, o frio e o silêncio. No fim de contas, só nos resta a morte.

Michel Houellebecq

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para ninguém


Amor,
o que é o sofrimento?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Self

Este ano descobri algo...

Aprendi.

Chorei.

Tive muitas e muitas noites felizes. E dias ternos. E madrugadas de dúvida.

E viagens, praia, sol, chuva, trabalho, preocupações, alegrias.



Descobri que o meu mundo não tem oceanos...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

While flying

"Tarde te amei,
beleza tão antiga e tão nova.
Eis que habitavas dentro de mim e eu lá fora a procurar-te..."

In Confissões de Santo Agostinho

sábado, 2 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Schlomo

Em Israel conheci o Schlomo, agora na casa dos 70, ele foi um menino de pijama em Birkenau. O Schlomo tem uma tatuagem que o acompanhou mais de metade da vida. Tem pesadelos com o que viu e nunca poderá esquecer. Mas ele sobreviveu, reconstruiu e recomeçou.
O Schlomo, que eu tive a sorte de conhecer (foi meu guarda-costas durante as minhas andanças no Neguev), é um herói aos meus olhos. Porque os heróis são também aqueles que nós não reconhecemos o rosto, nao lhes vemos a alma, mas que suportaram o insuportavel e sobreviveram para contar.
Transponho para o Schlomo todos os meninos de pijama. Conhecer sobreviventes tem uma força ímpar... não é descrítivel o que se sente ao abraçar uma pessoa que era suposto ter morrido da forma mais cruel possivel.
E sobreviveu. E viveu, fez familia, deu continuidade à nossa fé. Foi feliz, aprendeu a perdoar e a conviver com a dor de ficar sozinho no mundo, sozinho do amor e amizade que lhe tiraram na infância.

domingo, 26 de setembro de 2010

Can I walk with you?

A primeira vez que o vi não foi a primeira vez que o vi; foi a primeira vez que o meu coração esboçou um sorriso por vê-lo. Quando o vi surgir do escuro, lindo, de locks tão finas e ar tão rebelde, sinto que o vi pela primeira vez. Prendi o olhar e senti nas narinas o seu cheiro quente.
Empreendi uma verdadeira perseguição até captar o seu olhar no meu. Consegui prendê-lo num laço tão forte que ainda hoje sinto que não está desfeito, ainda há dias em que o seu cheiro não me abandonou, em que as mutações da lua que vimos param defronte dos meus olhos. Ainda hoje, ainda, e sempre, não tenho qualquer dúvida. Sabemos que há caminhadas a dois, caminhadas num sentido comum, numa vida afastada mas sempre ligada, por laços tão finos quanto fortes, laços de uma só ponta, comum, partilhada.
De que é feito afinal o amor? Agora já começo a descobrir... é feito do que vivi no intervalo da minha vida.

B.

sábado, 25 de setembro de 2010

Na corda bamba das letras


Fui convidada a escrever um coluna semanal num jornal que não direi a ninguém qual é.
O convite, para além da grande surpresa que me trouxe, foi proporcionado pelos elogios positivos e construtivos que um profissional das letras me fez, achando que eu sou merecedora de publicação. Disse que sou uma escritora e que devo desenvolver essa arte, conciliando com o meu trabalho.
A primeira reacção foi recusar, por vergonha e medo das criticas que sempre surjem; mas, e porque não? Que tenho a perder? Nem sequer preciso assinar os textos, criei um pseudónimo. E, mais ainda, quem é que eu conheço que perde tempo a ler colunas de jornais?
Já disponibilizei os primeiros doze textos, todos eles criados no ambito deste e do anterior blog, que servirão para as próximas doze semanas. E depois farei o balanço se valerá a pena continuar ou dar esta aventura por terminada.
Isto será, para mim, um verdadeiro andar na corda bamba, rumo ao desconhecido.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mum says she looks like me



... and I find it funny!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Da felicidade


Os dias em que nos sentimos felizes por um qualquer motivo diferente do habitual são uma dádiva; contudo, os melhores dias são aqueles em que, sem motivo aparente, nos sentimos felizes pelo simples facto de sermos quem somos e movimentarmo-nos pelos meios a que pertencemos. Esses são raros, talvez mais raros que os primeiros; e contudo, necessitam tanto de nós para existirem quanto os segundos. Há dias que não precisamos de um estimulo, nem de um sorriso, nem de um presente, nem de um abraço para nos sentirmos gigantes de tanto afecto por tudo quanto nos rodeia. Hoje é um desses dias. Hoje é um dia em que não fiz nada de extraordinário, excepto trabalhar, em que ninguém me fez um elogio rasgado ou me expressou amizade ou gratidão, e mesmo assim sinto-me inchada de uma felicidade serena e uma gratidão pacata por estar aqui, a aproveitar o sol do céu azul e a companhia dos que me rodeiam. Felizes as coisas simples...

domingo, 19 de setembro de 2010

António Gedeão

Tu, eu
(e todos nós)

temos enredos na voz,

armaduras e espessuras

que nos encobrem de nós.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Crazy little thing called love


Solidez? Como se sabe que uma relação é sólida?! Nunca há garantias ou não haveria tantos solteiros no mundo. Mas porque insistem em mostrar-me que não devo acreditar nas estrelas? Sei bem que a menos que sejamos um Quixote, não devemos perseguir quimeras, mas não me posso permitir sepultar um sentimento sem lhe dar uma hipótese. Amo-te para cá, amo-te para lá. Lindo, mas insustentável. Nada de competições nem comparações, tolerancia para aceitar regras que não foram previamente estipuladas, nisto já acredito. Amor não é só poesia, haja discernimento, racionalidade, compreensão que união não é necessáriamente fusão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

While flying

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.


Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.


Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e fogo.


Pablo Neruda

domingo, 5 de setembro de 2010

Mr O.



Il y a longtemps que je t'aime


Jamais je ne t'oublierai...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A.M.

A.M. é um bombom de entre um pequeno leque de amigas da melhor colheita.
Deixa comigo os seus segredos mais ensombrados, os seus medos e os seus sonhos.
Sabes, sinto que ainda brincamos de princesas na areia, sim, e ainda rimos e fugimos do mar gelado... e sim, as nossas filhas serão muito amigas, tão amigas quanto nós somos.
A.M. é sinónimo de amor...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Oráculo



Não sei quem sou.
Tenho um nome e uma familia e uma residência. Tudo isto consta da minha identificação.
Mas não sei quem sou...
O que queria já não quero, o que esperei querer não aconteceu e para a frente no caminho só vejo indefinição.
Pitonisa, diz-me que me conheça a mim mesma. Porque, mesmo, não sei quem sou.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sweet



Porque os dias contigo são doces e coloridos...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Djavan


A paixão, puro afã, místico clã de sereia, castelo de areia, ira de tubarão,
ilusão...


[Djavan - Açaí]

domingo, 22 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

De Israel

O deserto conquistou-me, contra todas as expectativas. Vi e partilhei o céu mais lindo do mundo com pessoas que me ficarão no coração para sempre. Pudesse eu transmitir por palavras o que vi, o que fiz, o que ri... as coisas realmente importantes não as consigo verbalizar.
Chorei ao ver Jerusalém, senti que tudo faz sentido, que Deus me guia. Agora em Telaviv estou a descansar de duas semanas intensas em que, por vezes, achei que não me conseguiria mais levantar, já não teria força para continuar. E depois de superar todos os meus limites, sei agora que nada me quebra, que posso sempre continuar, há sempre um passo a dar quando já só se quer desistir...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cheiro a jardim fluvial


Conheci Brugges em Julho de 2003 pela objectiva do Phillip. Sim, para mim há cidades que persistem a par com alguém que me marcou enquanto lá estive e da Bélgica lembro o Phillip. Era querido o suficiente para ser encantador. Percorriamos os canais de barquinho e bebiamos kriek estendidos ao pouco sol belga. O seu passatempo era fotografar-me a cada instante, a cada sorriso de felicidade ou a cada resmungo de frio. No fim da viagem, complilou-me [a mim] num diário de viagem que ainda guardo.

Soube à pouco que está casado e tem um filho bebé. Fiquei feliz por ele e nada surpreendida, é do tipo familiar ele, aquele que em cada rapariga via uma potencial mulher e mãe. Daqueles que devemos gostar mas que por qualquer motivo inexplicável sómente achamos encantadores.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

The truth (?)


Numa qualquer parede nas Azenhas do Mar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

In pieces

sonhos interrompidos
sinais despercebidos
amores mal resolvidos
pessoas no coração
choros sem razão
sítios que ainda não conheci
actos por impulso
distração constante
desnorteada frequentemente
experiências que ainda não vivi
fragmentos que já esqueci
promessas cumpridas
promessas esquecidas
amizades que cultivei
pessoas que amei
coisas que já disse
coisas que calei
momentos que perdi
músicas que ouvi
músicas em mim
poesia que li
e livros que devorei
pequenos passos
sorrisos que ofereci
sorrisos que recebi
abraços, beijos, gratidão
paixonetas, ilusões, despedidas
soluções, enquadramentos, medo

detalhes tão pequenos
e que são tanto de mim.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

While flying

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e erronea fé
O ontem que dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Memoirs

Alguém me viu.
Me descobriu.
Entre o Tejo, a cumplicidade e a dança.
Grande tarde, grande noite.


Da razão

Portugal é país de escritores e poetas,

e os Portugueses escrevem bem porque são tristes...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

O.

(...) No combate final
Não ouvindo o teu sinal
Procurarei por ti
Há-de a coragem sobrar
Eu irei-te buscar
Ao inferno
Faz o mesmo por mim.


Até ao meu regresso e mais além
Eu já só te peço fica bem
Aguenta essa saudade por alguém
Que ficou para trás.


[Inferno, Xutos e Pontapés]

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Montego Nights


As noites em Montego eram regadas a rum, reggae e luas prateadas espelhadas sobre um mar que não termina nunca. Ou assim é como lembro a noite da escolha, que me traçou o caminho por anos...

sábado, 24 de julho de 2010

While flying

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Eugénio de Andrade

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sorolla



Amo, amo, amo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Excertos de um outro

Têm vindo a perguntar-me coisas interessantes. Ou não.
Perguntaram-me porque escrevo num blog. Não soube bem o que responder. Provavelmente não há resposta.
Começou por acaso, numa noite de depressão, com o intuito de ser eternamente secreto, exorcisar fantasmas e guardar monstros no armário. Num pulinho foi-se espalhando. Hoje é medianamente conhecido por alguns amigos e ilustres desconhecidos. Mas que sabem de mim quem me lê? Atrevo-me a supor que pouco, muito pouco, quase nada. Porque eu não me revelo no que escrevo. É nos meus silêncios que eu estou.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Coragem



Nunca antes do livro de Sandor Marai tinha pensado no conceito que hoje não me sai da cabeça... não basta amar, é preciso amar com coragem. Sim, é preciso ter coragem para assumir a diferença em público e não ter medo ou vergonha disso. Porque uma coisa é entre as nossas quatro paredes e outra é o critério da rua e do preconceito.
Na primeira vez não fui capaz, sei que o amei mas sem coragem... agora estou a tentar corrigir o erro. Já é tarde para recuperar o que perdi e sei que só tenho a mim para me culpar. Tento desta vez, mais uma vez, ter coragem de não desistir.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sándor Marai

Ouve-me. A lei do mundo dita que se deve terminar o que alguma vez se começou. Não é grande motivo de alegria. Nada chega a tempo, nunca a vida te deu nada, quando precisavas. Sofremos longamento por essa desordem, por esse atraso. Mas, um dia, percebemos que uma ordem maravilhosa e perfeita habitava em tudo... que duas pessoas não podem encontrar-se um dia antes, mas só quando estiverem maduras para esse encontro.


(...) Não acredito em encontros fortuitos. Sou homem e conheci muitas mulheres... O que fazer, se estava à tua espera? - disse, quase gentil, sem ênfase, elegante e contido.


(...) Vês Eszter, o reencontro é quase mais excitante e misterioso do que o primeiro encontro... há muito que sei isso. Reencontrar alguém que amámos não é como voltar ao «lugar do crime», atraídos por uma necessidade irresistivel, como se diz nos romances policiais?... Eu só te amei a ti na vida, não com severas exigências e nem lá muito exigentes, sei... (...)


Tu não querias, na verdade, esse amor. Não te defendas. Não basta amar alguém. É preciso amar com coragem. Nós não nos amámos com coragem... foi esse o mal. E a culpa é tua, porque a coragem dos homens é ridicula em matéria de amor. É trabalho vosso, o amor...


In
A Herança de Eszter

terça-feira, 13 de julho de 2010

Resgate

No ano passado fui para Aveiro debaixo de uma tempestade que mal me deixava ver o caminho, com mágoas em modo repeat, sem me importar se me dirigia a Aveiro ou Plutão, desde que fosse longe de Lisboa, que me trazia inúmeras recordações de dias mais felizes. Este ano resolvi ir para o meu refúgio, para aquele sitio de que falo tanto mal do clima, do mar, do ambiente e é no entanto um sitio tão querido, tão acolhedor. Vou para a minha praia, aquela que há uns anos ninguém conhecia e hoje é um hot spot cheio de gente; vou com a Wendy, que mesmo homeless, não nos troca por nada (a mim e à praia); vou para a minha lareira, os meus passeios de bicicleta, o cheiro a maresia a entrar-me pela janela, as recordações do primeiro beijo numa noite de lua naquela praia onde estamos sempre, pais e filhos e já avós e netos...
Vou! Levo pedidos e agradecimentos. Vou trazer paz e confiança.

domingo, 11 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

While flying

I carry your heart with me (I carry it in my heart)
I am never without it (anywhere I go you go, my dear;
and whatever is done by only me is your doing, my darling)
I fear no fate (for you are my fate, my sweet)
I want no world (for beautiful you are my world, my true)
and it´s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that´s keeping the stars appart
I carry your heart with me (I carry it in my heart)


E. E. Cummings

terça-feira, 6 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Aqui me confesso

Quando tivemos que tomar uma decisão, não a tomámos.
Isto já foi uma decisão.
E todos os dias me arrependo de ter tido medo de voar...

sábado, 3 de julho de 2010

As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo
não precisas ser amante
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 1 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Das incompreensões


Não tenho especial talento para pintar, nem cantar, nem dançar, nem cozinhar, nem tocar um instrumento, nem para nenhum desporto.

Nunca tive prémios por bom comportamento nem assiduidade nem criatividade.

Nunca fui demasiado altruista, nem demasiado compreensiva, nem demasiado paciente, nem demasiado afectuosa, nem demasiado cúmplice.

Só não sei porquê...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Old stories

. I was thinking of you but I always think of you no matter what.

. Cheap talk. Anyway memories are just memories so forget them.

. No way.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Da ilha

Do outro lado do Atlantico vieram os parabens pelo 7-0 de hoje em tom de saudosismo por esta quase-ilha europeia, esta quase-relação intercontinental.

Sølve Sundsbø

domingo, 20 de junho de 2010

Um fim epistolar


Os passos acabaram-se-nos pelo caminho... assomblé, en arriére, en l´aire, chassé, battement caindo em demi-plié são agora apenas termos técnicos.

Sinto-me como Julieta Capuleto ao afirmar “for you and I are past our dancing days”.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dia x

Eternas serão as minhas pegadas na areia, aquelas que me habituei a seguir e me levaram já a tantos sitios. E de tantos sitios me trouxeram de volta ao ponto de partida.

Quando Sodoma e Gomorra arderam, quem olhou para trás na fuga, por lá ficou... Há alguma moral que quero tirar disto? Não... apenas uma verdade universal: se olhar para trás, ao longo da praia, a ver a extensão do que ja caminhei, perco-me no horizonte.

Pelo caminho que percorri encontrei por diversas vezes a felicidade. Se ela é o caminho e não o destino, sou feliz.

Construo-me diáriamente e tento fazê-lo com amor. Porque o que fazemos com amor fica para sempre. É eterno...

As minhas pegadas ficam por ali até que uma onda as apague para que eu de novo me ponha ao caminho. Os castelos que construí na areia são também destruidos.
O que me resta? Para onde ir quando tudo em mim me pede para voltar para trás?
Encontro-me na terra de ninguém, sem avançar nem recuar. Sento-me e olho para este mar tão português e tão meu. E tento adivinhar como é o mundo lá ao fundo, atrás da linha do horizonte, atrás do sol já tão baixo e longe.

Aqui, na terra de ninguém, o eterno faz sentido...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mantra

“Lembra-te que não conseguir aquilo que se quer é, por vezes, um fantástico golpe de sorte.”

Dalai Lama


Já fui miúda de querer o quase-impossivel, de acreditar em distancias e ilhas mágicas.
Hoje quero apenas o que tenho direito - tudo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

By Lu

"Lês mais que o Professor Marcelo"

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Memória? Ah... isso.

A memória é o nosso melhor património; porque o que se esquece é como se nunca tivesse acontecido.

Lembro-me de tudo o que foi importante, tudo o que foi banal.

Até ao dia em que lembrar se torna insuportável. Tanto o bom quanto o mau.

sábado, 5 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Van Gogh


Porque a árvore da tua vida se começa a cobrir...

Chamas-lhe Primavera. Eu chamo... -te a ti.

terça-feira, 1 de junho de 2010

While flying

Em cada praça um branco pelourinho

conta triunfos certos do terror.

É esta a herança, Amor:

assim foi e assim será.

Mas eu e tu,

com a parte de dentro posta a nu,

insistimos em ter segredos, cartas...

E quando me levarem, por fim morto,

fico contigo inteiro embora parta.

Quem sabe

onde começa e acaba um corpo...



José Cutileiro

sábado, 29 de maio de 2010

Printemps


Ai a Primavera...

mexe com as hormonas, torna as pessoas mais receptivas a tudo.

Mau só as alergias...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

K.

Há amizades que são mágicas, há pessoas que são as nossas almas gémeas, completam-nos, até mesmo nas nossas falhas. E há aquela pessoa que é única, que nos acompanha no crescimento, que nos vê os medos e diz que tudo vai acabar bem. Aquela que é uma estrelinha, sempre presente, sempre a brilhar para nós.
Eu tenho a minha estrela, encontramo-nos numa carrinha azul já velhinha, há já vinte anos, com medo do desconhecido. Sentei-me a seu lado no banco e até hoje estamos lado a lado. Temos aquela cumplicidade que só é possivel aos amigos antigos, aqueles que nos viram a alma e encantaram-se ainda mais, aqueles que cruzaram emoções, vivências, gritos mudos... a verdade é que não imagino na vida melhor estrela que a minha. Se procurar um nome para descrever o que sinto, amizade não chega. É amor... K.

domingo, 23 de maio de 2010

B.

Na luz


dos teus olhos


vejo Veneza


que não conheço...


[Tony Tcheka]

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada.


Não, tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor.


Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver.


Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino

policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual.


Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal.

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser.


Não, tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal.


Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser,que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.


Alexandre O'Neill in No Reino da Dinamarca (1958)