Trapézio das emoções, das sensações, do amor sem rede. Porque o mundo é uma escola e a vida é um circo.
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Olhos de gato
- Acha mesmo? Não passo horas suficientes ao espelho para reparar nisso.
- Já disparou uma arma?
- Ainda não.
- Venha daí, com esses olhos, pode vir um dia a precisar.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Há vezes
Há vezes em que acho que a vida é como fazer uma tatuagem, um exercício de transformar a dor em prazer.
Há vezes em que saio de mim, vou para qualquer outro lugar.
Medo... sim, medo!
Para além dos medos básicos da solidão, de perder alguém, de não encontrar o meu lugar no mundo, acrescem diáriamente novos medos.
Porque ter medo significa que tenho coisas valiosas que posso perder. E não as quero perder.
Sou feliz!
Quero o MUNDO...
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Forever would be fine
terça-feira, 19 de outubro de 2010
B.
iardi na mi
susega na mi
pa n sedu bu sol
nin ku sol noti
sukuru iabri si mantu
n na lumiau kaminu
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Old stories
. Thanks.
. I know it doesn´t mean a lot to you... but it does to me and you always cared about things I like.
. True... How´s the weather there?
. Sad... we end up talking about the weather... well, it´s sunny and hot as always. You should be here.
. I know.
sábado, 16 de outubro de 2010
Mourão-Ferreira
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
E.E.Cummings
will tell who softly asks in love,
am I separated from your body smile brain hands merely
to become the jumping puppets of a dream? oh I mean:
entirely having in my careful how
careful arms created this at length
inexcusable, this inexplicable pleasure - you go from several
persons: believe me that strangers arrive
when I have kissed you into a memory
slowly, oh seriously
- that since and if you disappear
solemnly
myselves
ask "life, the question how do I drink dream smile
and how do I prefer this face to another and
why do I weep eat sleep - what does the whole intend"
they wonder. oh and they cry "to be, being, that I am alive
this absurd fraction in its lowest terms
with everything cancelled
but shadows
- what does it all come down to? love?
Love
if you like and I like, for the reason that I
hate people and lean out of this window is love, love
and the reason that I laugh and breathe is oh love and the reason
that I do not fall into this street is love.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
Do trágico
Michel Houellebecq
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Self
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
While flying
beleza tão antiga e tão nova.
Eis que habitavas dentro de mim e eu lá fora a procurar-te..."
In Confissões de Santo Agostinho
sábado, 2 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Schlomo
domingo, 26 de setembro de 2010
Can I walk with you?
Empreendi uma verdadeira perseguição até captar o seu olhar no meu. Consegui prendê-lo num laço tão forte que ainda hoje sinto que não está desfeito, ainda há dias em que o seu cheiro não me abandonou, em que as mutações da lua que vimos param defronte dos meus olhos. Ainda hoje, ainda, e sempre, não tenho qualquer dúvida. Sabemos que há caminhadas a dois, caminhadas num sentido comum, numa vida afastada mas sempre ligada, por laços tão finos quanto fortes, laços de uma só ponta, comum, partilhada.
De que é feito afinal o amor? Agora já começo a descobrir... é feito do que vivi no intervalo da minha vida.
sábado, 25 de setembro de 2010
Na corda bamba das letras

sexta-feira, 24 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Da felicidade

domingo, 19 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Crazy little thing called love

quarta-feira, 8 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
While flying
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e fogo.
Pablo Neruda
domingo, 5 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A.M.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Oráculo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
De Israel
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Cheiro a jardim fluvial
Conheci Brugges em Julho de 2003 pela objectiva do Phillip. Sim, para mim há cidades que persistem a par com alguém que me marcou enquanto lá estive e da Bélgica lembro o Phillip. Era querido o suficiente para ser encantador. Percorriamos os canais de barquinho e bebiamos kriek estendidos ao pouco sol belga. O seu passatempo era fotografar-me a cada instante, a cada sorriso de felicidade ou a cada resmungo de frio. No fim da viagem, complilou-me [a mim] num diário de viagem que ainda guardo.
Soube à pouco que está casado e tem um filho bebé. Fiquei feliz por ele e nada surpreendida, é do tipo familiar ele, aquele que em cada rapariga via uma potencial mulher e mãe. Daqueles que devemos gostar mas que por qualquer motivo inexplicável sómente achamos encantadores.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
In pieces
sinais despercebidos
amores mal resolvidos
pessoas no coração
choros sem razão
sítios que ainda não conheci
actos por impulso
distração constante
desnorteada frequentemente
experiências que ainda não vivi
fragmentos que já esqueci
promessas cumpridas
promessas esquecidas
amizades que cultivei
pessoas que amei
coisas que já disse
coisas que calei
momentos que perdi
músicas que ouvi
músicas em mim
poesia que li
e livros que devorei
pequenos passos
sorrisos que ofereci
sorrisos que recebi
abraços, beijos, gratidão
paixonetas, ilusões, despedidas
soluções, enquadramentos, medo
detalhes tão pequenos
e que são tanto de mim.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
While flying
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e erronea fé
O ontem que dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
O.
Não ouvindo o teu sinal
Procurarei por ti
Há-de a coragem sobrar
Eu irei-te buscar
Ao inferno
Faz o mesmo por mim.
Até ao meu regresso e mais além
Eu já só te peço fica bem
Aguenta essa saudade por alguém
Que ficou para trás.
[Inferno, Xutos e Pontapés]
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Montego Nights
sábado, 24 de julho de 2010
While flying
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 22 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Excertos de um outro
Perguntaram-me porque escrevo num blog. Não soube bem o que responder. Provavelmente não há resposta.
Começou por acaso, numa noite de depressão, com o intuito de ser eternamente secreto, exorcisar fantasmas e guardar monstros no armário. Num pulinho foi-se espalhando. Hoje é medianamente conhecido por alguns amigos e ilustres desconhecidos. Mas que sabem de mim quem me lê? Atrevo-me a supor que pouco, muito pouco, quase nada. Porque eu não me revelo no que escrevo. É nos meus silêncios que eu estou.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Coragem

Na primeira vez não fui capaz, sei que o amei mas sem coragem... agora estou a tentar corrigir o erro. Já é tarde para recuperar o que perdi e sei que só tenho a mim para me culpar. Tento desta vez, mais uma vez, ter coragem de não desistir.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Sándor Marai
In A Herança de Eszter
terça-feira, 13 de julho de 2010
Resgate
Vou! Levo pedidos e agradecimentos. Vou trazer paz e confiança.
domingo, 11 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
While flying
I am never without it (anywhere I go you go, my dear;
and whatever is done by only me is your doing, my darling)
I fear no fate (for you are my fate, my sweet)
I want no world (for beautiful you are my world, my true)
and it´s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that´s keeping the stars appart
I carry your heart with me (I carry it in my heart)
E. E. Cummings
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Aqui me confesso
sábado, 3 de julho de 2010
As Sem-Razões do Amor
não precisas ser amante
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 1 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Das incompreensões

segunda-feira, 28 de junho de 2010
Old stories
. Cheap talk. Anyway memories are just memories so forget them.
. No way.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Da ilha
domingo, 20 de junho de 2010
Um fim epistolar
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Dia x
Quando Sodoma e Gomorra arderam, quem olhou para trás na fuga, por lá ficou... Há alguma moral que quero tirar disto? Não... apenas uma verdade universal: se olhar para trás, ao longo da praia, a ver a extensão do que ja caminhei, perco-me no horizonte.
Pelo caminho que percorri encontrei por diversas vezes a felicidade. Se ela é o caminho e não o destino, sou feliz.
Construo-me diáriamente e tento fazê-lo com amor. Porque o que fazemos com amor fica para sempre. É eterno...
As minhas pegadas ficam por ali até que uma onda as apague para que eu de novo me ponha ao caminho. Os castelos que construí na areia são também destruidos.
O que me resta? Para onde ir quando tudo em mim me pede para voltar para trás?
Encontro-me na terra de ninguém, sem avançar nem recuar. Sento-me e olho para este mar tão português e tão meu. E tento adivinhar como é o mundo lá ao fundo, atrás da linha do horizonte, atrás do sol já tão baixo e longe.
Aqui, na terra de ninguém, o eterno faz sentido...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mantra
Dalai Lama
Já fui miúda de querer o quase-impossivel, de acreditar em distancias e ilhas mágicas.
Hoje quero apenas o que tenho direito - tudo.
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Memória? Ah... isso.
sábado, 5 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
While flying
conta triunfos certos do terror.
É esta a herança, Amor:
assim foi e assim será.
Mas eu e tu,
com a parte de dentro posta a nu,
insistimos em ter segredos, cartas...
E quando me levarem, por fim morto,
fico contigo inteiro embora parta.
Quem sabe
onde começa e acaba um corpo...
José Cutileiro
sábado, 29 de maio de 2010
Printemps
sexta-feira, 28 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
K.
Eu tenho a minha estrela, encontramo-nos numa carrinha azul já velhinha, há já vinte anos, com medo do desconhecido. Sentei-me a seu lado no banco e até hoje estamos lado a lado. Temos aquela cumplicidade que só é possivel aos amigos antigos, aqueles que nos viram a alma e encantaram-se ainda mais, aqueles que cruzaram emoções, vivências, gritos mudos... a verdade é que não imagino na vida melhor estrela que a minha. Se procurar um nome para descrever o que sinto, amizade não chega. É amor... K.
domingo, 23 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Um Adeus Português
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada.
Não, tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor.
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver.
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual.
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal.
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser.
Não, tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal.
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser,que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
Alexandre O'Neill in No Reino da Dinamarca (1958)

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