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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dia x

Eternas serão as minhas pegadas na areia, aquelas que me habituei a seguir e me levaram já a tantos sitios. E de tantos sitios me trouxeram de volta ao ponto de partida.

Quando Sodoma e Gomorra arderam, quem olhou para trás na fuga, por lá ficou... Há alguma moral que quero tirar disto? Não... apenas uma verdade universal: se olhar para trás, ao longo da praia, a ver a extensão do que ja caminhei, perco-me no horizonte.

Pelo caminho que percorri encontrei por diversas vezes a felicidade. Se ela é o caminho e não o destino, sou feliz.

Construo-me diáriamente e tento fazê-lo com amor. Porque o que fazemos com amor fica para sempre. É eterno...

As minhas pegadas ficam por ali até que uma onda as apague para que eu de novo me ponha ao caminho. Os castelos que construí na areia são também destruidos.
O que me resta? Para onde ir quando tudo em mim me pede para voltar para trás?
Encontro-me na terra de ninguém, sem avançar nem recuar. Sento-me e olho para este mar tão português e tão meu. E tento adivinhar como é o mundo lá ao fundo, atrás da linha do horizonte, atrás do sol já tão baixo e longe.

Aqui, na terra de ninguém, o eterno faz sentido...

terça-feira, 27 de abril de 2010

In the sky with diamonds

Hoje o dia foi uma mistura de sol com cinzento, à la Porto, no Porto.

A Terra está mais pobre e a cidade de Deus com mais uma estrela.

E eu sou, cada vez mais, imortal, porque não tenho onde cair morta.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dia 2

Há nuvens no céu e a chuva levou a minha estrela para longe.
Há muito tempo que não vejo a minha estrela. Deixou de brilhar ou deixei eu de vê-la?
Fui afortunada. Ofereceram-me uma estrela em tempos.
Mas perdi-lhe o rasto pelo caminho.
E em tempos era a que brilhava mais. Era a estrela polar, a que indica o norte, aquela que me levava sempre de volta a casa. Quando tinha uma casa para onde voltar.
Agora...
agora sou só mais um ser avulso por aí.
A janela está molhada e o meu olhar embaciado. Não é uma boa combinação para procurar algo no céu.
No céu... quem não almeja o céu? O céu sobre mim escureceu.
Já não distingo entre os pingos na janela e os dos meus olhos.
Talvez um dia a estrela volte a sorrir-me, a acenar-me lá do longe, lá do céu, onde estão aqueles que amei mas que não soube prender a mim.
E continua a chover... mas já não importa. Com a água a sujidade das ruas desaparece.
Talvez a chuva leve também as marcas da minha alma.